Abrindo essa Newsletter! 5 November 2024

Muerte y Renacimiento

Fala, jovens!



É Samhain novamente. Finados, Halloween, Dia de los Muertos, Toussaint. Faz exatamente 5 anos que eu cheguei em Barcelona para viver uma nova vida. E hoje estou criando essa Newsletter.


5 anos dando voltas e mais voltas, na verdade mais tempo… É provável que você também esteja dando voltas e mais voltas, muitos de nós estamos. Esse é o design da Corrida dos Ratos, precisamos ficar presos na roda para que ela possa girar! Nossos pensamentos nos condicionam, por isso é tão importante controlar a Mente Humana.


Tanto tempo para me tornar eu mesmo! Maldito sistema. Eu tive uma ideia e vou jogar no mar virtual a garrafa com a mensagem dentro:


Sou Lucas Luz. Tentei muito não ser eu. Tentei de todas as formas fugir de mim. Mas muita coisa mudou e agora eu defino minha realidade. Parei de ouvir a voz dos abutres invisíveis. Eles querem pessoas mortas pra comer e eu decidi viver.


Agora eu convoco outros sobreviventes para se unir a mim nessa aventura. Antecipando o Apocalipse, solto meu uivo de lobo pra encontrar minha manada e caçar em conjunto. Winter is coming. Fujam para as colinas!


Vamos aos fatos: O antigo sistema está ruindo enquanto o planeta aquece e nossas bases para sustentação da vida são destruídas. Vemos desde nossas telas portáteis as florestas queimando, regiões inteiras inundadas, secas extremas. Por alguma razão muitos de nós achamos que tudo isso é longe, que não nos afeta, que não fazemos parte desse mesmo problema.


Seguimos mais ou menos tudo igual, Business as usual, enquanto uma parte grita pela Vida e a outra é negacionista do cambio climático. Mesma maneira de pensar, mesma filosofia de vida: ganhar o máximo de dinheiro possível e “viver” no fim de semana.


Somos herdeiros do Colonialismo. Somos herdeiros de sociedades que escravizavam seres humanos. Na verdade, a escravidão continua, apenas mudou sua roupagem para parecer trabalho livre.




Tudo mudou a partir +- de 1750 com a Revolução Industrial. As fábricas produziam velozmente uma quantidade nunca antes vista de produtos e não havia suficientes pessoas pra comprar tamanha quantidade de novas coisas. Precisavam abrir mercados.


Depois de transformar em consumidor a todo homem e mulher livre do planeta, resolveram humanizar e dar um salário aos escravizados para que eles também comprassem. Não é a toa que a Inglaterra (dona das primeiras fábricas e dona do mundo na época) tenha sido a maior defensora da abolição.


O processo foi mais ou menos igual em toda parte: indenizaram a todos os senhores de escravos e jogaram os novos trabalhadores “livres” à própria sorte. “Ninguém é responsável pela sua pobreza a não ser você mesmo, cara, se vira, vai trabalhar!”



Assim criou-se a Meritocracia, que nada mais é do que a ideologia para culpar o pobre pelo sucesso desleal dos ricos. Antes, a religião era a explicação para a riqueza e a desigualdade: “Deus quer que o rei seja rei, que o nobre seja nobre, que o mundo seja assim, etc”.


A Meritocracia é a ideologia que nos confunde para que aceitemos que o problema está em nós a nivel individual e não na estrutura social que cria miséria.





Os senhores invisíveis que mandam no mundo não querem que pensemos em termos coletivos, em termos estruturais, de como funciona a sociedade em que vivemos. Na verdade, nós reles mortais, não sabemos quase nada sobre o mundo em que vivemos e por isso seguimos impotentes e cheios de problemas. Esse processo foi ocorrendo ao longo do tempo, igual a perereca que não percebe que está esquentando e morre dentro da panela quando você vai aquecendo a água devagarzinho.



Há uns 60 anos +- começaram a empurrar as pessoas do campo em direção às cidades. A população urbana aumentou muito e em vez de um pedaço de terra (digno) hoje temos um cubículo pra morar de aluguel (dívida). Fomos perdendo poder sem perceber, por realmente acreditar que uma gaiola flutuante de 60 m2 pode valer mais do que um pedaço de terra com água. Propaganda enganosa.



Veja bem: na época dos nossos avós, somente o homem trazia dinheiro para a casa, já que as mulheres trabalhavam em casa sem remuneração. Os casais tinham muitos mais filhos que hoje e podiam sustentar toda a família com apenas um salário e ter casa e carro próprios.



Hoje, estamos dividindo piso aos 40 anos. Celebramos como se fosse a conquista da casa própria o assinar o contrato do “aluguel próprio”: “Agora quem manda aqui sou eu! Poderei escolher quem vai ficar com o quarto no meu apartamento alugado!”. Quanto controle temos sobre nossas vidas ein?



Um dos objetivos dessa Newsletter é compartilhar conhecimentos que possam nos ajudar a sair do aluguel, primeira carta de alforria. Depois, buscar uma vida digna e AUTOSSUFICIENTE. Por último curtir a vida, encontrar amigos, celebrar a cultura. Na verdade é tudo isso junto e muito mais porque eu não sou guru e não tenho varita mágica, mas tenho ideias valiosas que quero passar pra frente e ver se podemos nos ajudar a ser MAIS.



Já que não podemos esperar nada dos governos, temos que aprender a nos AUTO-ORGANIZAR para poder ter uma vida que valha a pena ser vivida. E isso será cada vez mais necessário num futuro com mais catástrofes climáticas que podem nos deixar em uma posição vulnerável de um dia pro outro e, não sei você, mas eu não quero depender da Burrocracia pra resolver meus B.O.



Voltando ao tema da escravidão. Como somos herdeiros do Colonialismo que até hoje perdura, temos países ou regiões do mundo que dominam e outras que são dominadas. Quem é imigrante latinoamericano na Europa pode perceber claramente a diferença na qualidade de vida e de dinheiro que se ganha com relação ao país de origem.



Um lavador de pratos em Barcelona ou Paris pode passar as férias no Brasil. Um lavador de pratos no Brasil luta pra sobreviver. Aqui nas Europa qualquer trampito de mierda paga talvez 5x mais que um trampo considerado ok no Brasil. Fazer a compra da semana com 30 reais?! Com 30 euros dá. Isso é fato.



Não é magia, é a História se repetindo. É nossa herança colonial passada pros tempos atuais. A escravidão mudou de roupagem para uma escravidão financeira: pessoas e países endividados. O chicote se transformou em dívida. Bem-vindos ao Capitalismo Financeiro.



Após a Segunda Guerra Mundial, se criou na Conferência de Bretton-Woods o nosso atual modelo financeiro mundial. Enquanto antes era somente Ouro, Café ou Cana de açúcar que saia das colônias em direção à metrópole, hoje em dia saem fluxos de capital.



Na verdade, os países dominantes seguem sugando os recursos naturais das ex-colônias E AINDA RECEBEM DINHEIRO EM FORMA DE DÍVIDA. Por isso os EUA são os EUA e a Europa é a Europa (Porque seguem roubando o resto do mundo enquanto distraem a atenção pra longe do roubo).



É um tanto quanto complexto o funcionamento do sistema monetário internacional e as intricâncias desse tema ficarão pra depois. Mas o que quero dizer aqui é que estou iniciando esta Newsletter com o objetivo de criar uma comunidade de pessoas com interesses e objetivos afins.





Pessoalmente, estou buscando uma vida AUTOSSUFICIENTE em primeiro lugar, na qual não dependa de chefe ou de governo para viver bem e feliz. Primeiro, sair do aluguél e da corrida dos ratos, fazendo aquilo que amo e no futuro viver no campo na minha terrinha e compartir com minha tribo. No meio do caminho viajar muito. Então vou tratar aqui de temas como: Agricultura Sintrópica, Permacultura, Construção Ecológica, Investimentos, DIY (Do it Yourself), Transição Energética, Geopolítica. Que é a BASE: TERRA.



Mas ninguém pode ser feliz sozinho e já que estamos na cidade, por que não curtir toda a cultura e vida social que ela tem a oferecer?! Como sou músico e como quero viver bem fazendo o que gosto, vou falar sobre meus projetos musicais e sobre cultura em geral e penso também ter aqui uma agenda com os eventos culturais interessantes em BCN.



(Pra quem não me conhece sou músico, tarotista, apaixonado pela astrologia, olho o céu e falo dos planetas, das estrelas… Sou meio filósofo, meio bardo, meio poeta e 100% viajero, então aqui vou falar dessas coisas que me interessam, que me fazem ser eu, sem muita ordem e método por enquanto, mas tentando resumir ao máximo pra não fazer você ler um email muito longo).



Além de ser uma espécie de diário, quero PROMOVER ENCONTROS, compartilhar conhecimentos e momentos. Em resumo: vou compartilhar aqui minhas descobertas com relação aos temas comentados, música, eventos culturais, espiritualidade, viagens e um largo e imprevisível etc. Bora comigo?